Novo estudo científico, realizado com a colaboração de pesquisadores da Alergológica, analisou dados de saúde de crianças e adolescentes brasileiros e estabeleceu referências para a imunidade em cada faixa etária.

A imunidade se transforma ao longo da infância
Os níveis de imunoglobulinas variam conforme o desenvolvimento. Por isso, interpretar exames sem considerar a idade pode levar a conclusões equivocadas.
Nos primeiros meses de vida, parte dos anticorpos IgG presentes no bebê é recebida da mãe, durante a gestação. À medida que essa proteção natural diminui, o organismo da criança desenvolve progressivamente sua própria capacidade de produzir anticorpos, modificando os níveis encontrados nos primeiros exames.
O que são IgG, IgA e IgM?
O estudo avaliou três componentes importantes da imunidade:
- IgG: uma das principais imunoglobulinas da resposta imune.
- IgA: atua especialmente na proteção das mucosas.
- IgM: participa da resposta imune, especialmente em suas fases iniciais.
Essas imunoglobulinas são proteínas conhecidas como anticorpos, fundamentais para o reconhecimento e a defesa contra agentes infecciosos. A avaliação de suas concentrações no sangue pode fornecer informações importantes sobre o funcionamento da chamada imunidade humoral, relacionada à produção e ativação destas células de defesa.
Mais contexto para avaliar a saúde imunológica
Referências adequadas à idade podem ajudar os profissionais de saúde a diferenciar, de um lado, variações esperadas do desenvolvimento, e, do outro, alterações que merecem investigação.
A interpretação deve considerar também a história clínica e outros achados do paciente.
Um resultado fora dos intervalos de referência não significa, necessariamente, a presença de uma doença. A avaliação deve considerar fatores como a frequência e a gravidade de infecções, os sintomas apresentados e, quando necessário, exames complementares, permitindo uma investigação mais individualizada.

Como os níveis de imunoglobulinas mudam durante a infância?
A idade faz diferença na interpretação dos exames.
Os níveis das três imunoglobulinas apresentaram variações relacionadas ao crescimento e à maturação do sistema imunológico.
As mudanças foram especialmente relevantes durante a primeira infância.
Para ilustrar essas diferenças, o estudo identificou concentrações medianas de IgG de 3,65 g/L em bebês de 1 a 3 meses, chegando a 11,66 g/L entre adolescentes de 13 a 17 anos. As imunoglobulinas IgA e IgM também apresentaram tendências de aumento com a idade, reforçando a importância de parâmetros específicos para cada etapa do desenvolvimento.
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Pesquisa brasileira estabelece referências para crianças e adolescentes
Pesquisa científica. Conhecimento. Mais precisão na avaliação imunológica. O estudo representa uma contribuição para a imunologia pediátrica brasileira, especialmente na interpretação dos níveis de imunoglobulinas durante a infância.
A pesquisa analisou indivíduos saudáveis de 1 mês a 17 anos, estabelecendo intervalos de referência para IgG, IgA e IgM conforme diferentes faixas etárias.
Ao todo, foram avaliados 2.911 participantes recrutados em serviços pediátricos de São Paulo e Campinas. As amostras foram submetidas a análises laboratoriais padronizadas, e os resultados permitiram estabelecer intervalos de referência para diferentes idades, com atenção especial às mudanças observadas nos primeiros meses de vida.
A disponibilidade de dados obtidos com crianças e adolescentes brasileiros é particularmente relevante porque referências internacionais nem sempre refletem todas as características de diferentes populações. A pesquisa oferece, assim, informações adicionais para apoiar decisões clínicas e aprimorar a investigação de possíveis alterações imunológicas.
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Referência científica
- Piza CFST, Aranda CS, Machado LMO, Mendanha C, Rizzo MCFV, Guimaraes RRL, Gouveia-Pereira MP, Nobre FA, Ain ACM and Condino-Neto A (2026). Age-specific reference intervals for serum IgG, IgA, and IgM in healthy Brazilian children and adolescents. Front. Immunol. 17:1969584. doi: 10.3389/fimmu.2026.1969584

