Resumo sobre a publicação “Newborn screening for inborn errors of immunity in Brazil” – entenda as principais descobertas e conclusões do artigo, escrito em co-autoria com pesquisadores da Alergológica
A triagem neonatal (popularmente conhecida como “Teste do Pezinho”) é uma das estratégias de saúde pública mais bem-sucedidas do mundo. Com apenas algumas gotas de sangue coletadas, é possível identificar doenças graves antes que causem danos – às vezes irreversíveis – à saúde da criança. Um novo estudo publicado na revista científica Pediatric Allergy and Immunology chama atenção para dois pontos críticos: o Brasil possui experiência e expertise na realização da triagem neonatal, porém ainda está atrasado na detecção precoce dos erros inatos da imunidade (EII), um grupo de doenças genéticas que comprometem o funcionamento do sistema imunológico.
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O trabalho – escrito em co-autoria com o dr. Antonio Condino-Neto, diretor da Alergológica, e dr. Edgar Borges, da Immunogenic – analisa o cenário brasileiro e apresenta evidências claras de que ampliar o painel de triagem neonatal para incluir imunodeficiências graves — especialmente a Imunodeficiência Combinada Grave (SCID) — é uma necessidade urgente e que traria inúmeros benefícios à saúde da população.
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O que o estudo revela
A principal conclusão do trabalho é direta: o Brasil tem condições técnicas e científicas para implementar a triagem neonatal para EII, mas ainda não a incorporou de forma universal. Enquanto diversos países já adotam rotineiramente testes como TREC e KREC — marcadores que indicam a produção de linfócitos T e B — o sistema brasileiro permanece limitado a iniciativas regionais e projetos piloto.
Esses testes são simples, utilizam a mesma amostra do teste do pezinho tradicional e permitem identificar, logo nos primeiros dias de vida, bebês com risco de imunodeficiências graves. A detecção precoce é decisiva: crianças com SCID, por exemplo, podem evoluir rapidamente para infecções severas e fatais se não forem diagnosticadas e tratadas a tempo. Quando identificadas precocemente, porém, têm acesso rápido a terapias curativas, como o transplante de células-tronco hematopoiéticas, com taxas de sucesso muito superiores.
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O estudo também destaca que o atraso no diagnóstico aumenta não apenas a mortalidade, mas também os custos para o sistema de saúde. Internações prolongadas, uso intensivo de antibióticos, exames complexos e tratamentos emergenciais poderiam ser evitados com uma triagem simples e de baixo custo. Em outras palavras, além de salvar vidas, a triagem neonatal para EII é economicamente vantajosa.
Outro ponto importante levantado pelos autores é que o Brasil já possui uma rede de triagem neonatal consolidada, laboratórios capacitados e profissionais experientes. Ou seja, a infraestrutura básica está pronta. O que falta é a decisão de incorporar oficialmente esses testes ao Programa Nacional de Triagem Neonatal, garantindo cobertura universal e equitativa.
Um chamado à ação
O estudo funciona como um alerta, mas também como um convite. Ele mostra que o país está diante de uma oportunidade concreta de modernizar sua triagem neonatal e alinhar-se às melhores práticas internacionais. A tecnologia existe, o conhecimento existe, e os benefícios são amplamente comprovados. O próximo passo depende de políticas públicas que reconheçam a importância da detecção precoce das imunodeficiências e priorizem sua inclusão no painel nacional.
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Referência
- , , , et al. Newborn screening for inborn errors of immunity in Brazil. Pediatr Allergy Immunol. 2025; 36:e70047. doi:10.1111/pai.70047

