Estado vive novo surto da doença, que já foi considerada erradicada no passado. Uma parte relevante dos casos ocorre em pessoas sem vacinação completa. Entenda sinais e sintomas, e por que o sarampo é perigoso.
Por Dra. Juliana Tucci – Pediatra (CRM 228.990 / RQE 135372)
Você provavelmente já ouviu falar que o sarampo voltou a circular em algumas cidades de São Paulo. E não, essa não é uma notícia qualquer: o sarampo é uma das doenças mais contagiosas que existem, e o Brasil já tinha conquistado o certificado de eliminação da doença. Neste texto, quero explicar de forma simples o que é o sarampo, como reconhecer os sintomas, como se trata e, principalmente, por que a vacinação (inclusive a revacinação de adultos) voltou a ser um assunto urgente por aqui.
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O que é o sarampo?

O sarampo é uma doença infecciosa causada por um vírus (o morbillivirus), transmitida pelo ar — por gotículas respiratórias liberadas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou até fala. É considerado um dos vírus mais contagiosos que conhecemos: uma única pessoa doente pode transmitir a infecção para muitas outras pessoas não imunizadas que compartilhem o mesmo ambiente, mesmo sem contato direto.
O Brasil recebeu o certificado de eliminação do sarampo em 2016, mas perdeu esse status em 2018, após a reintrodução do vírus no país. Desde então, o Brasil tem vivido períodos de calmaria intercalados com surtos pontuais, geralmente ligados à entrada do vírus vindo de outros países — o que é chamado de caso “importado” ou “relacionado à importação”.
Quais são os sintomas?

- Quanto tempo depois do contato os sintomas aparecem? Em geral, entre 10 e 14 dias após a exposição ao vírus.
- Quais são os primeiros sinais? Febre alta, tosse, coriza (nariz escorrendo) e conjuntivite (olhos vermelhos e irritados). Muita gente confunde esse início com uma gripe comum.
- E depois? Cerca de 2 a 4 dias após o início da febre, surgem manchas avermelhadas na pele (exantema), que começam atrás das orelhas e no rosto e depois se espalham para o resto do corpo.
- Existe algum sinal característico dentro da boca? Sim — antes do exantema, podem aparecer pequenas manchas esbranquiçadas na mucosa da boca, chamadas de manchas de Koplik, consideradas bastante características da doença.
- O sarampo é só uma “doença de pele com febre”? Não. O sarampo pode causar complicações sérias, principalmente em crianças pequenas, gestantes e pessoas imunossuprimidas: pneumonia, otite, diarreia grave, e, em casos raros, encefalite (inflamação do cérebro). É justamente por isso que a doença é levada tão a sério pelas autoridades de saúde.
Como é o tratamento?

Não existe um remédio específico contra o vírus do sarampo — o tratamento é de suporte, ou seja, focado em aliviar os sintomas e prevenir complicações:
- Repouso e boa hidratação
- Controle da febre com antitérmicos
- Suplementação de vitamina A em crianças, conforme orientação médica (reduz o risco de complicações graves)
- Acompanhamento médico atento a sinais de complicação (dificuldade respiratória, letargia, desidratação)
- Isolamento respiratório do paciente durante o período de transmissibilidade, para proteger outras pessoas
Prevenção: a vacina tríplice viral

A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente pelo SUS e faz parte do Calendário Nacional de Vacinação.
- Qual o esquema para crianças? Duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses (nessa idade, geralmente já como a vacina tetra viral, que inclui também proteção contra varicela).
- E os adultos, precisam se vacinar? Sim! Muita gente esquece, mas adultos entre 20 e 59 anos que não completaram o esquema vacinal (duas doses) também estão suscetíveis e precisam se atualizar. Não é incomum encontrarmos adultos que nunca tomaram as duas doses.
- Gestantes podem tomar a vacina? Não. A tríplice viral é uma vacina de vírus vivo atenuado e é contraindicada na gestação. Por isso, o ideal é que a mulher atualize sua caderneta antes de engravidar.
- E bebês pequenos, antes dos 12 meses? Em situações de circulação ativa do vírus (como a que estamos vivendo agora em algumas regiões), o Ministério da Saúde pode recomendar uma dose extra, chamada de “dose zero”, para bebês entre 6 e 11 meses, como proteção adicional — sem substituir as doses de rotina aos 12 e 15 meses.
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E o que está acontecendo agora em São Paulo?
Em agosto de 2026, o estado de São Paulo vive um surto localizado de sarampo, concentrado principalmente na capital, além de São Bernardo do Campo e Guarulhos. Os números vêm subindo rapidamente nas últimas semanas, já ultrapassando duas dezenas de casos confirmados no estado, entre bebês, crianças e adultos. Uma parte relevante dos casos ocorre em pessoas sem vacinação completa.
Diante disso, a Secretaria de Estado da Saúde e o Ministério da Saúde ampliaram as ações de controle:
- Campanha de Multivacinação em todo o estado (645 municípios), com foco na atualização da caderneta de crianças e adolescentes
- Nos três municípios com casos confirmados (São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos), a vacina está sendo oferecida de forma indiscriminada para toda a população entre 6 meses e 59 anos, independente da situação vacinal prévia — uma estratégia de bloqueio para conter a circulação do vírus
- Recomendação de “dose zero” para bebês entre 6 e 11 meses nessas regiões
- Um dos motivos de preocupação: as coberturas vacinais da tríplice viral no estado estão abaixo da meta de 95% considerada necessária para manter a proteção coletiva (imunidade de rebanho)
Por que isso importa mesmo se você não mora nessas cidades? Porque o sarampo se espalha com muita facilidade, e a circulação do vírus em regiões de grande mobilidade (como a Grande São Paulo) aumenta o risco de disseminação para outras localidades. Manter a caderneta de vacinação em dia — a sua e a dos seus filhos — é a melhor forma de proteção individual e coletiva.
Quando procurar atendimento médico?
Procure atendimento se você ou seu filho apresentarem febre alta associada a manchas vermelhas pelo corpo, principalmente se houver também tosse, coriza e olhos vermelhos — especialmente se houve contato recente com alguém com suspeita ou confirmação de sarampo, ou viagem recente para áreas com casos registrados. Avise a unidade de saúde antes de chegar, se possível, para que medidas de isolamento sejam tomadas e o risco de transmissão para outras pessoas na sala de espera seja reduzido.
Resumindo
- O sarampo é altamente contagioso e pode causar complicações graves, principalmente em crianças pequenas.
- Não existe tratamento antiviral específico — a prevenção pela vacina é a estratégia mais eficaz.
- São Paulo vive um surto ativo em 2026, concentrado na capital, São Bernardo do Campo e Guarulhos, com campanha de vacinação estendida a toda a população de 6 meses a 59 anos nessas cidades.
- Verifique sua caderneta de vacinação e a dos seus filhos. Em caso de dúvida, procure a Clínica Alergológica / Alergia e Imunologia – Rua Bernardo José de Sampaio, 260 e 270, Vila Itapura, Campinas, São Paulo.
Fontes institucionais: Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), Ministério da Saúde/PNI, Prefeitura de São Paulo (SMS/Covisa). Dados de casos e cobertura vacinal atualizados até 12/08/2026.
