O que se sabe sobre ansiedade, estresse e gastrite – e o que elas têm a ver com a saúde das crianças?
A ansiedade infantil tem crescido nos últimos anos — mudanças de rotina, excesso de estímulos, escola, novas fases e até questões familiares podem desencadear ou agravar sintomas físicos.
Entre esses sintomas, um dos mais comuns é a dor de barriga, que pode estar diretamente ligada ao estômago.
Mas afinal: ansiedade pode causar gastrite em criança?
O que se sabe: ansiedade/estresse podem agravar sintomas e predispor a lesões gástricas
- Em situações de estresse psicológico (ansiedade, nervosismo, tensão), há estímulos à produção de ácido gástrico e aumento da secreção gástrica.
- Esse aumento de acidez e da agressividade do suco gástrico pode irritar a mucosa gástrica, tornando-a mais vulnerável a lesões — o que favorece quadros semelhantes a gastrite, com dor, queimação, desconforto, azia, indigestão.
- Há modelos experimentais mostrando que o estresse crônico pode provocar lesões na mucosa gástrica ou erosões, com alterações inflamatórias, associadas a estresse psicológico prolongado.
- Além disso, o eixo cérebro-intestino (“gut–brain axis”) — ou seja, a comunicação entre sistema nervoso central e trato digestivo — explica por que estados emocionais alterados interferem na motilidade, sensibilidade e função da mucosa gástrica/intestino.
Assim, em alguém com gastrite já existente — seja por infecção, uso de fármacos, H. pylori, etc — o estresse ou nervosismo podem agravar os sintomas, precipitar crises de dor, piora da queimação, azia, refluxo ou outros desconfortos.
Limites: ansiedade/estresse não são causa principal de gastrite crônica
- A literatura enfatiza que “estresse e ansiedade isoladamente não causam gastrite” no sentido clássico — ou seja, não produzem necessariamente inflamação gástrica definitiva se não houver outros fatores predisponentes.
- O termo popular “gastrite nervosa” costuma corresponder mais a dispepsia funcional ou distúrbios digestivos funcionais causados por estresse/ansiedade, sem erosão real da mucosa gástrica.
- Ou seja: estresse/nervosismo podem reproduzir sintomas semelhantes aos da gastrite ou agravar uma gastrite existente — mas não costuma causar gastrite crônica por si só, em termos de lesão histológica persistente.
Implicações práticas para quem já tem gastrite
- Quem apresenta gastrite deve estar atento: em momentos de estresse ou ansiedade, é provável que os sintomas piorem — dor, queimação, refluxo, má digestão.
- Estratégias para controle da ansiedade / nervosismo podem ajudar a controlar os sintomas gástricos — manejo psicológico, higiene do sono, técnicas de relaxamento, alimentação balanceada, evitar tabaco/álcool/medicamentos irritativos, uso racional de antiácidos ou bloqueadores de ácido quando indicado.
- Em pacientes com gastrite crônica já estabelecida, é importante tratar os fatores principais (infecção, irritantes, medicações), mas reconhecer que o estresse pode funcionar como gatilho ou fator de exacerbação.
Conclusão
Ansiedade e nervosismo — especialmente quando crônicos ou intensos — não costumam causar gastrite por si só, mas podem agravar uma gastrite existente ou provocar sintomas semelhantes a gastrite (dispepsia, irritação gástrica, refluxo, dor). Portanto, sim: para quem já tem gastrite, controlar o estresse é parte importante do manejo clínico.
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